Educação Moral e Religiosa Católica na Escola, lugar de humanismo.

Ao chegar a altura das matrículas nas Escolas, venho chamar a atenção para o contributo importante da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) para uma educação de qualidade que se dirige a todas as dimensões da pessoa. É opcional e, portanto, aconselho vivamente a que se inscrevam. Apresento, de forma simples e resumida, as razões deste conselho: três pressupostos (A,B e C); e três dimensões da disciplina (1,2 e 3).

A. Partimos de um pressuposto óbvio: A educação é uma responsabilidade de todos - pais, educadores, escola, sociedade civil e, dentro desta, a igreja e associações várias. Nenhuma destas instituições só por si dá resposta completa à complexidade atual da educação. Aliás hoje, para além destas comunidades educativas, circulam muitas influências difusas e, por vezes negativas, como as redes sociais, as modas, a publicidade enganosa. Face a estes riscos temos de nos unir todos, dialogar e colaborar de forma conjugada - família, escola e igreja (e no interior da igreja as várias propostas educativas como a catequese, os movimentos juvenis, a educação moral e religiosa escolar e outras). A educação é obra comunitária, não é uma questão privada de nenhuma instituição ou movimento, nem de nenhum governo ou ministério. Entre todas as comunidades educativas deve ser reconhecido protagonismo à família.

B. Outra verificação simples: educar bem não se resolve apenas nem sobretudo com as novas teorias educativas que estão sempre a aparecer. É pelos frutos que se avalia a qualidade da árvore. É uma questão de sabedoria prática solidificada pelo tempo e pela experiência. Que frutos esperamos de uma educação de qualidade? Os conhecimentos e as boas classificações são, certamente, importantes mas não chegam. São igualmente indispensáveis os hábitos de trabalho, a boa relação, a retidão, a capacidade de colaborar no bem comum, a responsabilidade e o gosto pela vida.

C. Educar é possível e necessário. Apesar das dificuldades vemos, também, frutos notáveis de experiências educativas em famílias, escolas, grupos e movimentos eclesiais. Acontece na educação o mesmo que num jardim ou num campo para chegar à flor e ao fruto: o agricultor precisa de estar atento às situações climatéricas, às ervas daninhas, ao desenvolvimento desordenado, às pragas de insetos. Quando o jardineiro ou agricultor acompanha atentamente e protege destas ameaças, a árvore ou planta dá bons frutos. Porque a força vital está na sua natureza. Na educação humana acontece o mesmo: Os educandos têm dentro de si o apelo e a capacidade de desenvolvimento, da verdade e da liberdade, da boa relação e da comunidade. Mas são também influenciados pelo egoísmo, pelo narcisismo, pela inveja, pela violência e por outras imperfeições. Não podemos deixá-los à deriva ou à mercê destes e de outros desvios. Educar é ajudar a sair da sua concha, a abrir-se à realidade e aos outros e a fazer caminho para a perfeição.

1. A EMRC oferece educação moral, ou seja,tem a preocupação de ajudar os alunos a fazer o discernimento entre os valores que dão dignidade e fecundidade à vida e outros, porventura mais agradáveis e vistosos no imediato, mas que a longo prazo a empobrecem. Esta disciplina moral acompanha o aluno na descoberta da orientação no caminho da vida. Nesse sentido, oferece referências e ajuda a definir critérios para construir uma existência plena assente nos valores da verdade, da dignidade, da fraternidade, da participação ativa na construção da justiça e da paz na sociedade. Vivemos numa sociedade líquida onde tudo parece relativo, sem consistência. Por isso, é importante relacionar a fé com a cultura e ajudar a discernir o que é bom, verdadeiro e promessa de um futuro melhor.

2. A EMRC oferece também educação religiosa. Procura cultivar a dimensão espiritual da existência humana, a vida interior assente na capacidade de escuta, de meditação e de diálogo com Deus, com a consciência e com os outros. Na vida interior descobre-se uma fonte de paz e de luz.

Religião significa ligação (vem de religar). A EMRC tem em vista abrir à relação, levar a sair do egocentrismo e da indiferença para promover a dimensão comunitária, a fraternidade, o cuidado pelo outro. Onde funciona bem, esta disciplina promove a relação comunitária não só no interior do grupo mas no ambiente escolar e social.

3. A designação católica não se refere apenas a uma instituição (igreja católica) mas ao espírito do catolicismo enviado por Cristo a congregar todos os povos, nações e culturas numa grande e única família. Tem, portanto, o significado abrangente de universal, de atenção e valorização de todas as dimensões pessoais, culturais e sociais. Católica, no caso desta disciplina, concretiza-se no acolhimento, diálogo e colaboração com as diferentes sensibilidades e perspetivas, culturas e religiões, na preocupação de construir a unidade da família humana no respeito pelas diferenças. Dentro da família humana, o católico cuida especialmente dos mais vulneráveis, dos doentes, dos que vivem nas periferias e não têm voz. Assim procura levar esperança e apoio aos necessitados, construir a justiça e a paz e progredir na humanização da pessoa e da sociedade.

Por isso, recomendamos a inscrição na disciplina de EMRC e manifestamos o grande apreço e louvor a todos os educadores que se dedicam, de alma e coração, ao seu reconhecimento e eficácia.

Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santarém

Santarém, 16 de Maio de 2017

 

 

Concurso 2017-2018

Procedimentos para os concursos à lecionação da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica em 2017-2018 (artigo 8º do Decreto-Lei n.º 70/2013, de 23 de maio)

 

 

 

 

I. Para quem vai lecionar a EMRC pela primeira vez:

1 – Quem pretender lecionar a disciplina de EMRC pela primeira vez deverá contactar o secretariado de EMRC da diocese onde reside. Quem, já tendo lecionado a EMRC, não se encontra a desempenhar essa função em 2016-2017 deverá proceder do mesmo modo.

2 – Estes candidatos deverão entregar um curriculum vitae, um certificado de habilitações (Despacho n.º 6809/2014, de 23 de maio) e uma declaração com a informação da vida cristã coerente e comprometida eclesialmente. O Pároco ou sacerdote deve atestar que recebeu as informações constantes no documento..

3 – A candidatura é formalizada mediante o preenchimento do documento de declaração de compromisso enquanto docente de EMRC.

4 - O docente deve ainda entregar uma ficha de apresentação do docente.

II. Para os que já são professores de EMRC:

4 - O processo decorre no secretariado da diocese onde se encontra em exercício de funções.

5 - A candidatura é formalizada mediante o preenchimento do documento de Declaração de Compromisso enquanto docente de EMRC, da Ficha de Apresentação de Docente e entrega da Declaração de idoneidade emitida pelo pároco.

6 - Após este procedimento, para os profissionalizados em EMRC, o secretariado solicitará as declarações de concordância para cada uma das candidaturas aos secretariados das dioceses para as quais os candidatos manifestaram intenção de concorrer. Estes pedidos são acompanhados das fichas de apresentação dos candidatos. Os pedidos de declarações para docentes do quadro (candidatos ao concurso interno) deverão aparecer em separado e acompanhados com essa indicação.

7 - As declarações de concordância são enviadas, por correio registado, ao secretariado que as solicitou para posterior levantamento por cada um dos interessados.

8 - Para os portadores de habilitação própria, bem como para os titulares de qualquer licenciatura, acrescido de 120 ECTs na área da docência da EMRC (nºs 4 e 5 do Despacho n.º 6809/2014), os procedimentos descritos nos números 5, 6 e 7 decorrem a partir de 1 de julho.

9 - As declarações de concordância de candidatura ao concurso de mobilidade interna serão passadas apenas quando forem conhecidos os horários com ausência/insuficiência de componente letiva.

10 – Ao secretariado diocesano de EMRC cabe a responsabilidade de garantir o cumprimento dos requisitos exigidos.

11 - O docente deve ainda entregar uma ficha de apresentação do docente.

III. Para todos os candidatos

11 – Obtida a colocação, o docente comunica ao secretariado da diocese em que ficou colocado o nome do respetivo agrupamento de escolas ou escola não agrupada, no prazo de 48 horas. Esta informação é igualmente transmitida pelo candidato ao secretariado onde se iniciou e decorreu o processo, no caso de ser diferente do da diocese onde se obteve a colocação.

12 – Em caso de desistência do concurso deve o candidato dar conhecimento imediato ao secretariado onde decorre o processo, à exceção da contratação de escola.

13 – Em caso de renúncia à colocação obtida, deve o docente dar conhecimento imediato, apresentando a respetiva justificação, ao secretariado da diocese em que obteve a colocação, incluindo denúncia do contrato no decurso do ano letivo.

 

Interescolas " BEM-AVENTURA-TE"

Bem-Aventura-te” foi O tema da carta pastoral que serviu de lema para o Interescolas que se realizou no passado dia14 de dezembro, uma festa que teve como principal objetivo promover a relação interpessoal entre os alunos do 9º ano e secundário, inscritos na disciplina de EMRC da Diocese de Santarém.

Os participantes deste encontro foram recebidos no CNEMA com música animada por vários jovens.  Segui-se um tempo de reflexão sobre a Aventura de ser Misericordioso. Posteriormente os alunos passaram por vários espaços de divertimento e de arte. Culminando o dia como Concerto com David Antunes

Projectos em destaque

Projecto "Por Uma Nova África"
A possibilidade de construirmos um mundo onde cada pessoa possa viver com dignid...
Projecto EU+TU=NÓS
Assim, os professores de EMRC propõem este projecto, com o qual pretendem ser u...

"Entregue suas preocupações ao Senhor, e ele o susterá; jamais permitirá que o justo venha a cair."

Salmos 55:22